A Ordenação de Mulheres ao ministério pastoral - Parte 1
Há muito tempo que se
discute nos meios eclesiásticos evangélicos a respeito do desejo da mulher
servir na função pastoral em uma igreja, seja à frente de um ministério ou
mesmo de uma igreja. Algumas denominações históricas se veem num embate
teológico a respeito da validade de um ministério pastoral feminino, fazendo
com que os ânimos se aqueçam em diversas ocasiões, normalmente finalizando com
uma imposição autoritarista.
Neste ensaio quero mostrar
que o ministério pastoral feminino deve ser encorajado em nossas igrejas.
ARGUMENTOS
CONTRA A ORDENAÇÃO FEMININA
Há uma série de argumentos levantados contra a
ordenação de mulheres para o ministério pastoral. Gostaria de tratar de cada um
deles.
“Jesus não chamou nenhuma mulher para ser ‘apóstola’,
logo ele não validou o ministério pastoral feminino”.
Este é um dos argumentos mais
repetidos por aqueles que são contra a ordenação feminina. No entanto pecam
contra as Escrituras ao misturar o ministério apostólico e o pastoral. Embora o
ministério apostólico tenha tido características e funções pastorais bem claras
e inquestionáveis, o título “apóstolo” tinha em si uma função mais específica:
ser testemunha ocular da vida e morte de Jesus.Em Atos 1.21,22 lemos:
“Portanto, é necessário que dos homens que
conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós,
começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi recebido em
cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição.”[1]
Esta
foi a ocasião da escolha de Matias para substituir Judas Iscariotes, e deixa
clara a função de ser testemunha da morte e ressurreição de Cristo[2],
uma função especial e histórica, e que não se repetiria mais. Se Jesus tinha por
propósito ter doze discípulos que encabeçariam o seu ministério depois de sua
ascensão, e que seriam testemunhas válidas de sua vida, morte e ressurreição no
mundo judaico, grego e romano, então necessariamente estas testemunhas
precisavam ser homens.
Veja,
esta necessidade é muito mais cultural do que realmente bíblica, pois a lei do
Antigo Testamento não fazia distinção de sexo para as testemunhas[3].
O testemunho tanto do homem quanto da mulher era válido para a lei mosaica, mas
a tradição judaica rejeitava o testemunho de qualquer mulher, sendo inclusive
proibidas de testemunhar em uma corte da lei. Isto era um acréscimo humano à
Lei de Deus.
O
Talmude, que não é literatura inspirada por Deus, sendo compilado com diversas
divagações rabínicas e regras cheias de religiosidades anti-bíblicas, inclusive
sendo algumas combatidas por Jesus, era o “livro de cabeceira” do judeu naquele
tempo, e principalmente dos fariseus. É nele onde se encontram as proibições
quanto à aceitação do testemunho feminino, além de diversas afirmações
anti-bíblicas e bem ofensivas, como por exemplo:
“Louvado
seja Deus, pois não me criou como gentio; louvado seja Deus, pois não me criou
como mulher; louvado seja Deus, pois não me criou como ignorante”.
Portanto, para que o testemunho dos
apóstolos fosse válido entre os judeus, suas testemunhas precisavam ser homens,
pois a cultura (e apenas a cultura) da época não aceitava o testemunho de uma
mulher. O mesmo se aplica às culturas
gregas e romanas do primeiro século, que também rejeitavam o testemunho de uma
mulher, e a considerava inferior.
Portanto, nenhum pastor, bispo ou
presbítero tem a autoridade apostólica que Jesus deu aos doze, pois aquela foi
uma função totalmente distinta dos papéis pastorais que depois foram criados na
eclesiologia da igreja primitiva. Resta à igreja atual os dons que o Espírito
Santo distribui segundo a sua vontade e os ofícios declarados no restante do
Novo Testamento.
“O apóstolo Paulo manda que as mulheres
fiquem em silêncio (I Timóteo 2.11-15), logo não devem exercer liderança”
Este é um dos textos mais usados por
aqueles que rejeitam o ministério pastoral e diaconal de mulheres. Alguns
chegam ao extremo de não aceitar mulher sequer como professora de escola bíblica
ou que ocupe qualquer cargo de proeminência na igreja.
Em Timóteo 2, os versículos 8 a 15
são totalmente relacionados ao contexto familiar, e não ao da igreja. Ao citar
Adão e Eva, Paulo enfatiza os papéis masculino e feminino dentro do primeiro
casal, e em nenhum lugar declara ser uma regra para o contexto da igreja, até
mesmo porque se ele estivesse ordenando o silêncio da mulher na igreja estaria
se contradizendo, pois em I Coríntios 11.5 ele admite que a mulher ore e
profetize.
Isso significa
que a mulher não tem autoridade para ensinar o seu marido. Ela se “salva” da
proibição de ensinar no contexto familiar quando lhe nascem filhos (v 15). Veja
que Paulo só começa a falar de funções pastorais e diaconais no capítulo 3 de
Timóteo.
Mas o que ele está querendo dizer
com “aprender em silêncio”? Estaria Paulo negando à mulher o direito de se
expressar dentro de sua própria casa? Não.
A
expressão “em submissão”, do versículo 11 é a mesma palavra grega do versículo
12, e que ali é traduzida por “em silêncio”. A tradução vem da palavra grega hesychia, e que pode significar
“silêncio”, “tranquilidade”, e é difícil expressar a ideia de Paulo com apenas
uma palavra.[4]
A melhor tradução para estes versículos seria:
“A mulher aprenda
tranquilamente, com toda a tranquilidade. Não permito que a mulher ensine, nem
que exerça autoridade sobre o marido, mas que esteja tranquila”.
Sim,
Paulo enfatiza a proeminência do marido dentro de casa, e chama a atenção das
mulheres que aparentemente queriam ensinar seus maridos, ao invés de aprenderem
com eles. Só depois desta orientação familiar Paulo começa a falar do contexto
da igreja.
“Se a mulher deve submeter-se ao seu
marido, logo não pode ser pastora, pois estaria exercendo autoridade sobre ele na
igreja.”
Se este argumento fosse válido então
da mesma forma nenhum jovem poderia ser ordenado pastor, principalmente se seus
pais estiverem em sua própria igreja. Da mesma forma nenhum pastor poderia
pastorear um prefeito, um governador, ou uma autoridade do nosso governo, pois Paulo
também orienta que devemos nos submeter aos governadores e autoridades[5],
da mesma forma como Pedro orienta[6].
É claro que um governador convertido
se submeteria à autoridade espiritual de seu pastor sobre ele, assim como um
pai exerceria sua autoridade familiar em casa, mas se submeteria
espiritualmente ao pastoreio de seu filho. Da mesma forma um homem convertido
pode submeter-se ao pastoreio de sua esposa, sendo que em casa ela se submete a
ele como o cabeça da família.
“Quando Paulo cita os pré-requisitos
para alguém tornar-se pastor e diácono (I Timóteo 3), ele só se refere a
homens, logo nenhuma mulher deve ser pastora ou diaconisa.”
Paulo usa diversas palavras no
masculino, ao listar os pré-requisitos daqueles que poderiam ser ordenados
pastores no capítulo 3 de I Timóteo, e alguns usam isto como argumento para
mostrar que ele só tinha homens em mente quando escreveu.
No entanto, era de costume, assim
como é hoje na nossa língua portuguesa, masculinizar termos que visavam
alcançar tanto homens quanto mulheres. Não sendo portanto argumento válido para
esta afirmação.
Mas alguém ainda poderia perguntar:
“E a declaração de que deveria ser casado com uma única mulher (vs 2,12)? Não
há qualquer referência à mulher também dever ser casada com um único homem.”
Paulo explicita que o homem deveria
ser marido de uma só mulher, o que aponta para a poligamia como possível razão
desta ressalva. Alguns interpretam este texto como uma proibição para segundos
casamentos, mas isso é muito improvável, pois estaria contradizendo outras declarações
também suas, como as de I Timóteo 5.14, Romanos 7.2-3 e I Coríntios 7.39.
Portanto,
como o texto se refere a uma ressalva quanto à poligamia, e no primeiro século
o homem realmente poderia ter mais de uma esposa, no entanto é necessário
reconhecer que nenhuma mulher possuía mais de um marido. Talvez por isso ele
tenha sido tão específico nesta ressalva apenas para os homens, pois não se
fazia necessário declarar qualquer coisa a respeito das mulheres.
No
versículo 11 de I Timóteo 3, Paulo começa dizendo: “Da mesma forma as mulheres
...”, mostrando que os ministérios anteriormente tratados(bispos e diáconos)
também se referem às mulheres.
Alguns
gostam de traduzir este texto como “suas esposas”, referindo-se às esposas dos diáconos.
Em grego a palavra usada para “mulher” e “esposa” é a mesma. No entanto,
traduzir para “suas esposas” é uma tradução forçada, visto não possuir em grego
a palavra “suas”, deixando muito claro não se tratar das esposas dos diáconos,
mas sim das mulheres de forma geral, que “aspiram o episcopado”. Portanto, não
há nada neste capítulo que declare que a mulher não possa exercer o ministério
pastoral.
Também
é importante destacar que, como não há o correlato feminino para bispo ou
diácono, é natural que Paulo use o mesmo termo para os dois sexos. Podemos ver
isso em Romanos 16.1, quando se refere à diaconisa Febe. Paulo usa a palavra diakonos para ela, que é a mesma usada
em I Timóteo 3.
“Paulo ordena que as mulheres fiquem
quietas na igreja (I Coríntios 14.34,35), logo elas não devem exercer
ministério pastoral”.
Este é um
capítulo controverso, pois trata do uso dos dons espirituais na igreja de
Corinto, e aparentemente proíbe a mulher de falar qualquer coisa na igreja. Se
for esta realmente a interpretação, significaria que a mulher não pode
realmente exercer qualquer função na igreja, e a exemplo do que acontecia no
antigo templo em Jerusalém, elas seriam meras observadoras do culto, não
podendo falar ou fazer coisa alguma.
Mas esta declaração contradiz
diversas outras passagens que mostram mulheres orando e profetizando, como I
Coríntios 11.5 e Atos 21.9. Como orariam ou profetizariam se eram proibidas de
falar na igreja?
Para entender o que Paulo realmente
quis dizer na passagem devemos ler o contexto do capítulo. Havia uma verdadeira
bagunça acontecendo nos cultos em Corinto, o que fica evidente em I Coríntios
14.23, 33. A declaração de que “Deus não é Deus de confusão” evidencia esta
confusão que acontecia naquela igreja.
Por isso ele deixa claro que quando
alguém estiver orando em línguas, deveria ser feito no máximo por duas ou três
pessoas, e que tivesse intérprete (v. 27). Caso não tivesse alguém com o dom de
interpretação, era para ficar em silêncio(v. 28). Da mesma forma a profecia deveria
ser feita por dois ou três profetas, e quando fosse revelado algo a outro
profeta, e que se levantasse para falar, o primeiro deveria ficar em silêncio,
em respeito ao primeiro(v. 30).
Veja
que Paulo está deixando muito claro que no culto publico era para todos ficarem
em silêncio, em respeito àquele que estivesse orando em línguas(com
interpretação) ou então profetizando. Por isso agora ele destaca as mulheres
(v. 34 e 35), que muito provavelmente conversavam ou questionavam seus maridos
durante o culto. Paulo está dizendo que é para se questionar em casa, e não no
culto. A ordem dada por ele é clara com relação a não conversar, repetindo a
mesma advertência anterior, pois a proeminência do culto deveria ser dada à
interpretação das línguas e às profecias.
Como
declara Barclay (1995, p 69): “Não cabe dúvida de que seria um erro
injustificável tirar estas palavras do seu contexto e impô-las como uma regra
universal para a igreja.” No versículo 31 Paulo declara sem qualquer
restrição de sexo, que “todos podereis profetizar, uns depois dos outros, para
que todos aprendam, e todos sejam consolados”. Logo, homens e mulheres, com
ordem e respeito, podem profetizar na igreja.
[1] Todos os textos bíblicos
utilizados aqui são da tradução de João Ferreira de Almeida.
[2] STOTT, John R. A Mensagem de Atos. São Paulo: ABU Editora, 2003, pg 58. Stott também concorda com esta interpretação, de que a função apostólica era a de
ser testemunha.
[3] Deuteronômio 19.15-21
[4] BRUCE, F.F. Comentário Bíblico NVI. São Paulo: Editora Vida, 2009. p 2053.
[5] Tito 3.1

Olá Pastor!
ResponderExcluirAinda não estudei muito a fundo o tema, porém muitas dúvidas surgem sobre esse assunto, inclusive com relação a seus argumentos. Aos poucos vou escrevendo aqui, para podermos conversar sobre o assunto (se o senhor achar que este espaço serve para esse propósito).
Sobre a questão dos apóstolos, é evidente que o apostolado e o pastorado são funções distintas, porém, é interessante ressaltar que Jesus não estava preocupado em "escandalizar" judeus quando a questão é o tratamento dado às mulheres. Ele quebrou muitos tabus sobre mulheres ao longo do seu ministério. O seu encontro com a mulher samaritana é um dos exemplos apenas. Jesus quebrava vários tabus de fariseus e religiosos da época, sem importar-se com isso. Sobre etnias, pessoas menos favorecidas, "pecadores" (prostitutas, cobradores de impostos), e também mulheres. Ele conversava com mulheres, tinha mulheres que o acompanhavam por toda parte, mulheres sustentavam seu ministério, foi às mulheres que ele primeiro apareceu após sua ressurreição, dentre outros exemplos. É muito claro que ele não se importava com isso. Não consigo enxergar um Jesus preocupado em desagradar judeus. Muito pelo contrário, ele sempre desafiava a cultura de sua época, e as leis religiosas criadas por líderes hipócritas. Porém, mesmo em todo esse contexto, ele não escolheu uma mulher para ser apóstola. Mesmo após a morte de Judas, os discípulos escolheram outro homem. Dadas essas circunstâncias, não consigo ver isso como algo a favor de uma liderança eclesiástica feminina. Mas repito, o apostolado no molde dos 12 já cessou, e é diferente da ordenação ao ministério pastoral.
(continua)
Com relação a 1 Timóteo 2, não consigo ver o contexto familiar de que o senhor fala. Na leitura do capítulo, me parece muito claro que o contexto é da igreja, não da família. Se fosse contexto familiar, somente os maridos deveriam “orar em todo lugar, levantando mãos santas?” (v.8) E as instruções sobre vestir-se de maneira modesta seriam somente para as esposas, e não para as mulheres em geral (vv. 9 e 10)? O contexto não me parece nada um contexto de família.
ResponderExcluirSobre a expressão “em silêncio” (vv. 11 e 12), concordo que a melhor tradução seria a transmissão da ideia de calma, tranquilidade, quietude, não silêncio total, principalmente se notarmos que Paulo mesmo fala de mulheres orando e profetizando na igreja.
Entretanto, trocar a tradução do versículo 12, de “homem” para “marido”, creio que seja algo que não procede por pelo menos duas razões. A primeira é que o contexto do capítulo não é do ambiente da família e sim da igreja (orações, súplicas, levantar as mãos...). A segunda, é um argumento que o senhor mesmo utilizou logo abaixo. Não há o pronome possessivo, “seu”. Portanto, seguindo o seu próprio raciocínio (logo abaixo, seu texto diz: “No entanto, traduzir para 'suas esposas' é uma tradução forçada, visto não possuir em grego a palavra “suas”, deixando muito claro não se tratar das esposas dos diáconos, mas sim das mulheres de forma geral...), a tradução como “maridos” seria forçada, utilizando seu próprio argumento sobre a ausência do pronome no texto grego.
Sobre a questão da autoridade (v.12), no grego essa palavra traduzida por autoridade é muito mais forte, e só aparece aqui no Novo Testamento todo. A conotação é de uma autoridade especial, não qualquer autoridade. Tendo em vista o contexto eclesiástico, pode-se deduzir que Paulo está tratando da autoridade eclesiástica, não limitando a liderança feminina em outras áreas. Também achei meio confuso os exemplos citados. O pastor deve sim se submeter à autoridades governamentais instituídas, no que se refere a obrigações civis. Da mesma forma, o governante cristão deve submeter-se ao seu líder espiritual, no que diz respeito à questões espirituais. Uma autoridade não anula a outra.
Além disso, você cita o homem como cabeça do lar. Porém, na segunda parte do seu artigo, você coloca o texto de Gálatas 3.28 como prova da igualdade sexual total, como argumento para o pastorado feminino. Se o senhor levar esse argumento até o fim, então a concepção de homem como cabeça do lar também teria que ser extinta e vista como algo cultural, não? Ademais, o texto de Gálatas 3.28 não está de nenhuma maneira relacionado a ministérios ordenados. O contexto claramente não trata disso. O contexto é sobre salvação, sobre o fato de que ser filho de Deus é para todos os que creem, indistintamente. Homens e mulheres são iguais em valor, dignidade, com certeza. Mas as funções exercidas por cada um são diferentes. E isso o senhor mesmo reconhece quando fala do homem como cabeça do lar.
E a respeito da homossexualidade, é fato de que muitas igrejas que hoje aceitam homossexuais como membros e líderes (diversas denominações históricas nos EUA e na Europa) utilizam da mesma argumentação que usaram há décadas para autorizar o pastorado feminino. Afirmam ser questão de contexto cultural, portanto condicionadas àquela época.
Ainda tenho outras dúvidas e comentários, mas deixarei para outra hora. Obrigado pela oportunidade! =) Sempre vejo como válido o diálogo e a pesquisa, para crescimento mútuo!
Abraço!
Olá querido, seus questionamentos são bem vindos. Como eu falei no post, o fato de Jesus ter escolhido apenas homens para serem apóstolos não serve como restrição para o ministério pastoral, porque são dois ministérios totalmente diferentes. O apóstolo era testemunha de Jesus e sua vida. Embora obviamente houvesse muito mais testemunhas que aqueles doze, eles eram os escolhidos e enviados por Cristo para este propósito.
ResponderExcluirCreio que realmente Jesus poderia ter escolhido mulheres para serem apóstolas. No entanto, o ofício pastoral, profético, etc, foi instaurado após a descida do Espírito Santo, dando início a um novo tempo, uma nova aliança, baseada não no Antigo Testamento, mas sim no sangue de Cristo. É nEle onde está a nossa graça! Pode até ser que realmente Jesus elegesse seus apóstolos baseado na supremacia masculina presente no AT, embora eu não veja em todo o Antigo Testamento uma base para tal alegação. Mas assim como no Antigo o gentio não era respeitado, nem o escravo, etc, agora em Cristo todos somos iguais. Se formos seguir a lógica: “Nenhum apóstolo foi mulher, logo nenhuma pastor deve ser”, então deveremos ser coerentes e concluir que “Nenhum apóstolo foi gentio, logo nós pastores brasileiros também não podemos ser”. É óbvio que tal alegação destrói a graça de Cristo Jesus e toda a mensagem do Evangelho.
Quanto ao texto de I Timóteo 2, veja que Paulo começa o capítulo falando sobre a necessidade de se orar por todos os homens. Ali a palavra homem é antropos, que significa ser humano, e não apenas homem do sexo masculino. Da mesma forma a mesma palavra aparece nos versículos 4 e 5. No versículo 8 a palavra utilizada para homem é aner, que significa tanto “homem” quanto “marido”.
Fica claro que a orientação de Paulo de que a “esposa/mulher “ deve aprender com tranquilidade, e não exercer autoridade sobre o seu “homem/marido”, porque no versículo 15 ele ressalta que ela é salva desta restrição ao dar a luz filhos. Também fica claro por causa do modelo que ele usa, ao citar Adão e Eva, o primeiro casal. Paulo muda completamente de assunto ao iniciar o capítulo 3, pois agora sim começa a falar sobre os pré-requisitos ao episcopado, não tendo qualquer ligação com o texto anterior.
Veja, não afirmo que a mulher não deva ser submissa ao seu marido. A Bíblia é clara quanto a isso. O que afirmo é que o fato de que a mulher deva ser submissa ao seu marido não nega a possibilidade dela ser pastora ou diaconisa.
Quanto à questão da autoridade, o que quero dizer é que a mulher deve sim ser submissa ao seu marido, pois é bíblico, mas isso não nega a possibilidade dela ser pastora. Normalmente o que se afirma é que ela não pode ser pastora porque exerceria autoridade sobre o seu marido na igreja, e eu não vejo qual o problema. Nós devemos também nos submeter às autoridades governamentais, e que também é bíblico, o que não nos impede de pastorear alguns destes líderes governamentais. Portanto, se um pastor jovem pode, por exemplo, pastorear seu próprio pai, ou então o prefeito de sua cidade, porque uma mulher não poderia pastorear seu marido, sendo que em casa ela é submissa a ele?
ResponderExcluirSobre o texto de Gálatas, eu não acho que o irmão entendeu o que eu escrevi, pois em lugar algum eu disse se tratar de algo cultural. O que afirmo é que em Cristo somos iguais, seja homem ou mulher, judeu ou grego. Esta igualdade espiritual é alcançada mediante a justificação em Cristo. A própria doutrina da justificação seria na verdade suficiente para validar o ministério feminino.
Abraço!