terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A Ordenação de Mulheres ao ministério pastoral - Parte 1


A Ordenação de Mulheres ao ministério pastoral - Parte 1


Há muito tempo que se discute nos meios eclesiásticos evangélicos a respeito do desejo da mulher servir na função pastoral em uma igreja, seja à frente de um ministério ou mesmo de uma igreja. Algumas denominações históricas se veem num embate teológico a respeito da validade de um ministério pastoral feminino, fazendo com que os ânimos se aqueçam em diversas ocasiões, normalmente finalizando com uma imposição autoritarista.
Neste ensaio quero mostrar que o ministério pastoral feminino deve ser encorajado em nossas igrejas. 

  ARGUMENTOS CONTRA A ORDENAÇÃO FEMININA

Há uma série de argumentos levantados contra a ordenação de mulheres para o ministério pastoral. Gostaria de tratar de cada um deles.
 “Jesus não chamou nenhuma mulher para ser ‘apóstola’, logo ele não validou o ministério pastoral feminino”.

            Este é um dos argumentos mais repetidos por aqueles que são contra a ordenação feminina. No entanto pecam contra as Escrituras ao misturar o ministério apostólico e o pastoral. Embora o ministério apostólico tenha tido características e funções pastorais bem claras e inquestionáveis, o título “apóstolo” tinha em si uma função mais específica: ser testemunha ocular da vida e morte de Jesus.Em Atos 1.21,22 lemos:

“Portanto, é necessário que dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição.”[1]

Esta foi a ocasião da escolha de Matias para substituir Judas Iscariotes, e deixa clara a função de ser testemunha da morte e ressurreição de Cristo[2], uma função especial e histórica, e que não se repetiria mais. Se Jesus tinha por propósito ter doze discípulos que encabeçariam o seu ministério depois de sua ascensão, e que seriam testemunhas válidas de sua vida, morte e ressurreição no mundo judaico, grego e romano, então necessariamente estas testemunhas precisavam ser homens.
Veja, esta necessidade é muito mais cultural do que realmente bíblica, pois a lei do Antigo Testamento não fazia distinção de sexo para as testemunhas[3]. O testemunho tanto do homem quanto da mulher era válido para a lei mosaica, mas a tradição judaica rejeitava o testemunho de qualquer mulher, sendo inclusive proibidas de testemunhar em uma corte da lei. Isto era um acréscimo humano à Lei de Deus.
O Talmude, que não é literatura inspirada por Deus, sendo compilado com diversas divagações rabínicas e regras cheias de religiosidades anti-bíblicas, inclusive sendo algumas combatidas por Jesus, era o “livro de cabeceira” do judeu naquele tempo, e principalmente dos fariseus. É nele onde se encontram as proibições quanto à aceitação do testemunho feminino, além de diversas afirmações anti-bíblicas e bem ofensivas, como por exemplo:

“Louvado seja Deus, pois não me criou como gentio; louvado seja Deus, pois não me criou como mulher; louvado seja Deus, pois não me criou como ignorante”.

            Portanto, para que o testemunho dos apóstolos fosse válido entre os judeus, suas testemunhas precisavam ser homens, pois a cultura (e apenas a cultura) da época não aceitava o testemunho de uma mulher.  O mesmo se aplica às culturas gregas e romanas do primeiro século, que também rejeitavam o testemunho de uma mulher, e a considerava inferior.
            Portanto, nenhum pastor, bispo ou presbítero tem a autoridade apostólica que Jesus deu aos doze, pois aquela foi uma função totalmente distinta dos papéis pastorais que depois foram criados na eclesiologia da igreja primitiva. Resta à igreja atual os dons que o Espírito Santo distribui segundo a sua vontade e os ofícios declarados no restante do Novo Testamento.

 “O apóstolo Paulo manda que as mulheres fiquem em silêncio (I Timóteo 2.11-15), logo não devem exercer liderança”

            Este é um dos textos mais usados por aqueles que rejeitam o ministério pastoral e diaconal de mulheres. Alguns chegam ao extremo de não aceitar mulher sequer como professora de escola bíblica ou que ocupe qualquer cargo de proeminência na igreja.
            Em Timóteo 2, os versículos 8 a 15 são totalmente relacionados ao contexto familiar, e não ao da igreja. Ao citar Adão e Eva, Paulo enfatiza os papéis masculino e feminino dentro do primeiro casal, e em nenhum lugar declara ser uma regra para o contexto da igreja, até mesmo porque se ele estivesse ordenando o silêncio da mulher na igreja estaria se contradizendo, pois em I Coríntios 11.5 ele admite que a mulher ore e profetize.
Isso significa que a mulher não tem autoridade para ensinar o seu marido. Ela se “salva” da proibição de ensinar no contexto familiar quando lhe nascem filhos (v 15). Veja que Paulo só começa a falar de funções pastorais e diaconais no capítulo 3 de Timóteo.
            Mas o que ele está querendo dizer com “aprender em silêncio”? Estaria Paulo negando à mulher o direito de se expressar dentro de sua própria casa? Não.
A expressão “em submissão”, do versículo 11 é a mesma palavra grega do versículo 12, e que ali é traduzida por “em silêncio”. A tradução vem da palavra grega hesychia, e que pode significar “silêncio”, “tranquilidade”, e é difícil expressar a ideia de Paulo com apenas uma palavra.[4] A melhor tradução para estes versículos seria:

“A mulher aprenda tranquilamente, com toda a tranquilidade. Não permito que a mulher ensine, nem que exerça autoridade sobre o marido, mas que esteja tranquila”.

Sim, Paulo enfatiza a proeminência do marido dentro de casa, e chama a atenção das mulheres que aparentemente queriam ensinar seus maridos, ao invés de aprenderem com eles. Só depois desta orientação familiar Paulo começa a falar do contexto da igreja.

“Se a mulher deve submeter-se ao seu marido, logo não pode ser pastora, pois estaria exercendo autoridade sobre ele na igreja.”

            Se este argumento fosse válido então da mesma forma nenhum jovem poderia ser ordenado pastor, principalmente se seus pais estiverem em sua própria igreja. Da mesma forma nenhum pastor poderia pastorear um prefeito, um governador, ou uma autoridade do nosso governo, pois Paulo também orienta que devemos nos submeter aos governadores e autoridades[5], da mesma forma como Pedro orienta[6].
            É claro que um governador convertido se submeteria à autoridade espiritual de seu pastor sobre ele, assim como um pai exerceria sua autoridade familiar em casa, mas se submeteria espiritualmente ao pastoreio de seu filho. Da mesma forma um homem convertido pode submeter-se ao pastoreio de sua esposa, sendo que em casa ela se submete a ele como o cabeça da família.

 “Quando Paulo cita os pré-requisitos para alguém tornar-se pastor e diácono (I Timóteo 3), ele só se refere a homens, logo nenhuma mulher deve ser pastora ou diaconisa.”

            Paulo usa diversas palavras no masculino, ao listar os pré-requisitos daqueles que poderiam ser ordenados pastores no capítulo 3 de I Timóteo, e alguns usam isto como argumento para mostrar que ele só tinha homens em mente quando escreveu.
            No entanto, era de costume, assim como é hoje na nossa língua portuguesa, masculinizar termos que visavam alcançar tanto homens quanto mulheres. Não sendo portanto argumento válido para esta afirmação.
            Mas alguém ainda poderia perguntar: “E a declaração de que deveria ser casado com uma única mulher (vs 2,12)? Não há qualquer referência à mulher também dever ser casada com um único homem.”
            Paulo explicita que o homem deveria ser marido de uma só mulher, o que aponta para a poligamia como possível razão desta ressalva. Alguns interpretam este texto como uma proibição para segundos casamentos, mas isso é muito improvável, pois estaria contradizendo outras declarações também suas, como as de I Timóteo 5.14, Romanos 7.2-3 e I Coríntios 7.39.
Portanto, como o texto se refere a uma ressalva quanto à poligamia, e no primeiro século o homem realmente poderia ter mais de uma esposa, no entanto é necessário reconhecer que nenhuma mulher possuía mais de um marido. Talvez por isso ele tenha sido tão específico nesta ressalva apenas para os homens, pois não se fazia necessário declarar qualquer coisa a respeito das mulheres.
No versículo 11 de I Timóteo 3, Paulo começa dizendo: “Da mesma forma as mulheres ...”, mostrando que os ministérios anteriormente tratados(bispos e diáconos) também se referem às mulheres.
Alguns gostam de traduzir este texto como “suas esposas”, referindo-se às esposas dos diáconos. Em grego a palavra usada para “mulher” e “esposa” é a mesma. No entanto, traduzir para “suas esposas” é uma tradução forçada, visto não possuir em grego a palavra “suas”, deixando muito claro não se tratar das esposas dos diáconos, mas sim das mulheres de forma geral, que “aspiram o episcopado”. Portanto, não há nada neste capítulo que declare que a mulher não possa exercer o ministério pastoral.
Também é importante destacar que, como não há o correlato feminino para bispo ou diácono, é natural que Paulo use o mesmo termo para os dois sexos. Podemos ver isso em Romanos 16.1, quando se refere à diaconisa Febe. Paulo usa a palavra diakonos para ela, que é a mesma usada em I Timóteo 3.

 “Paulo ordena que as mulheres fiquem quietas na igreja (I Coríntios 14.34,35), logo elas não devem exercer ministério pastoral”.

            Este é um capítulo controverso, pois trata do uso dos dons espirituais na igreja de Corinto, e aparentemente proíbe a mulher de falar qualquer coisa na igreja. Se for esta realmente a interpretação, significaria que a mulher não pode realmente exercer qualquer função na igreja, e a exemplo do que acontecia no antigo templo em Jerusalém, elas seriam meras observadoras do culto, não podendo falar ou fazer coisa alguma.
         Mas esta declaração contradiz diversas outras passagens que mostram mulheres orando e profetizando, como I Coríntios 11.5 e Atos 21.9. Como orariam ou profetizariam se eram proibidas de falar na igreja?
            Para entender o que Paulo realmente quis dizer na passagem devemos ler o contexto do capítulo. Havia uma verdadeira bagunça acontecendo nos cultos em Corinto, o que fica evidente em I Coríntios 14.23, 33. A declaração de que “Deus não é Deus de confusão” evidencia esta confusão que acontecia naquela igreja.
            Por isso ele deixa claro que quando alguém estiver orando em línguas, deveria ser feito no máximo por duas ou três pessoas, e que tivesse intérprete (v. 27). Caso não tivesse alguém com o dom de interpretação, era para ficar em silêncio(v. 28). Da mesma forma a profecia deveria ser feita por dois ou três profetas, e quando fosse revelado algo a outro profeta, e que se levantasse para falar, o primeiro deveria ficar em silêncio, em respeito ao primeiro(v. 30).
Veja que Paulo está deixando muito claro que no culto publico era para todos ficarem em silêncio, em respeito àquele que estivesse orando em línguas(com interpretação) ou então profetizando. Por isso agora ele destaca as mulheres (v. 34 e 35), que muito provavelmente conversavam ou questionavam seus maridos durante o culto. Paulo está dizendo que é para se questionar em casa, e não no culto. A ordem dada por ele é clara com relação a não conversar, repetindo a mesma advertência anterior, pois a proeminência do culto deveria ser dada à interpretação das línguas e às profecias.
Como declara Barclay (1995, p 69): “Não cabe dúvida de que seria um erro injustificável tirar estas palavras do seu contexto e impô-las como uma regra universal para a igreja.”  No versículo 31 Paulo declara sem qualquer restrição de sexo, que “todos podereis profetizar, uns depois dos outros, para que todos aprendam, e todos sejam consolados”. Logo, homens e mulheres, com ordem e respeito, podem profetizar na igreja.



[1] Todos os textos bíblicos utilizados aqui são da tradução de João Ferreira de Almeida.
[2] STOTT, John R. A Mensagem de Atos. São Paulo: ABU Editora, 2003, pg 58. Stott também concorda com esta interpretação, de que a função apostólica era a de ser testemunha.
[3] Deuteronômio 19.15-21
[4] BRUCE, F.F. Comentário Bíblico NVI. São Paulo: Editora Vida, 2009. p 2053.
[5] Tito 3.1
[6] I Pedro 2.13,14

Leia a continuação deste estudo aqui!

4 comentários:

  1. Olá Pastor!

    Ainda não estudei muito a fundo o tema, porém muitas dúvidas surgem sobre esse assunto, inclusive com relação a seus argumentos. Aos poucos vou escrevendo aqui, para podermos conversar sobre o assunto (se o senhor achar que este espaço serve para esse propósito).

    Sobre a questão dos apóstolos, é evidente que o apostolado e o pastorado são funções distintas, porém, é interessante ressaltar que Jesus não estava preocupado em "escandalizar" judeus quando a questão é o tratamento dado às mulheres. Ele quebrou muitos tabus sobre mulheres ao longo do seu ministério. O seu encontro com a mulher samaritana é um dos exemplos apenas. Jesus quebrava vários tabus de fariseus e religiosos da época, sem importar-se com isso. Sobre etnias, pessoas menos favorecidas, "pecadores" (prostitutas, cobradores de impostos), e também mulheres. Ele conversava com mulheres, tinha mulheres que o acompanhavam por toda parte, mulheres sustentavam seu ministério, foi às mulheres que ele primeiro apareceu após sua ressurreição, dentre outros exemplos. É muito claro que ele não se importava com isso. Não consigo enxergar um Jesus preocupado em desagradar judeus. Muito pelo contrário, ele sempre desafiava a cultura de sua época, e as leis religiosas criadas por líderes hipócritas. Porém, mesmo em todo esse contexto, ele não escolheu uma mulher para ser apóstola. Mesmo após a morte de Judas, os discípulos escolheram outro homem. Dadas essas circunstâncias, não consigo ver isso como algo a favor de uma liderança eclesiástica feminina. Mas repito, o apostolado no molde dos 12 já cessou, e é diferente da ordenação ao ministério pastoral.

    (continua)

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  2. Com relação a 1 Timóteo 2, não consigo ver o contexto familiar de que o senhor fala. Na leitura do capítulo, me parece muito claro que o contexto é da igreja, não da família. Se fosse contexto familiar, somente os maridos deveriam “orar em todo lugar, levantando mãos santas?” (v.8) E as instruções sobre vestir-se de maneira modesta seriam somente para as esposas, e não para as mulheres em geral (vv. 9 e 10)? O contexto não me parece nada um contexto de família.

    Sobre a expressão “em silêncio” (vv. 11 e 12), concordo que a melhor tradução seria a transmissão da ideia de calma, tranquilidade, quietude, não silêncio total, principalmente se notarmos que Paulo mesmo fala de mulheres orando e profetizando na igreja.

    Entretanto, trocar a tradução do versículo 12, de “homem” para “marido”, creio que seja algo que não procede por pelo menos duas razões. A primeira é que o contexto do capítulo não é do ambiente da família e sim da igreja (orações, súplicas, levantar as mãos...). A segunda, é um argumento que o senhor mesmo utilizou logo abaixo. Não há o pronome possessivo, “seu”. Portanto, seguindo o seu próprio raciocínio (logo abaixo, seu texto diz: “No entanto, traduzir para 'suas esposas' é uma tradução forçada, visto não possuir em grego a palavra “suas”, deixando muito claro não se tratar das esposas dos diáconos, mas sim das mulheres de forma geral...), a tradução como “maridos” seria forçada, utilizando seu próprio argumento sobre a ausência do pronome no texto grego.

    Sobre a questão da autoridade (v.12), no grego essa palavra traduzida por autoridade é muito mais forte, e só aparece aqui no Novo Testamento todo. A conotação é de uma autoridade especial, não qualquer autoridade. Tendo em vista o contexto eclesiástico, pode-se deduzir que Paulo está tratando da autoridade eclesiástica, não limitando a liderança feminina em outras áreas. Também achei meio confuso os exemplos citados. O pastor deve sim se submeter à autoridades governamentais instituídas, no que se refere a obrigações civis. Da mesma forma, o governante cristão deve submeter-se ao seu líder espiritual, no que diz respeito à questões espirituais. Uma autoridade não anula a outra.

    Além disso, você cita o homem como cabeça do lar. Porém, na segunda parte do seu artigo, você coloca o texto de Gálatas 3.28 como prova da igualdade sexual total, como argumento para o pastorado feminino. Se o senhor levar esse argumento até o fim, então a concepção de homem como cabeça do lar também teria que ser extinta e vista como algo cultural, não? Ademais, o texto de Gálatas 3.28 não está de nenhuma maneira relacionado a ministérios ordenados. O contexto claramente não trata disso. O contexto é sobre salvação, sobre o fato de que ser filho de Deus é para todos os que creem, indistintamente. Homens e mulheres são iguais em valor, dignidade, com certeza. Mas as funções exercidas por cada um são diferentes. E isso o senhor mesmo reconhece quando fala do homem como cabeça do lar.

    E a respeito da homossexualidade, é fato de que muitas igrejas que hoje aceitam homossexuais como membros e líderes (diversas denominações históricas nos EUA e na Europa) utilizam da mesma argumentação que usaram há décadas para autorizar o pastorado feminino. Afirmam ser questão de contexto cultural, portanto condicionadas àquela época.

    Ainda tenho outras dúvidas e comentários, mas deixarei para outra hora. Obrigado pela oportunidade! =) Sempre vejo como válido o diálogo e a pesquisa, para crescimento mútuo!

    Abraço!

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  3. Olá querido, seus questionamentos são bem vindos. Como eu falei no post, o fato de Jesus ter escolhido apenas homens para serem apóstolos não serve como restrição para o ministério pastoral, porque são dois ministérios totalmente diferentes. O apóstolo era testemunha de Jesus e sua vida. Embora obviamente houvesse muito mais testemunhas que aqueles doze, eles eram os escolhidos e enviados por Cristo para este propósito.
    Creio que realmente Jesus poderia ter escolhido mulheres para serem apóstolas. No entanto, o ofício pastoral, profético, etc, foi instaurado após a descida do Espírito Santo, dando início a um novo tempo, uma nova aliança, baseada não no Antigo Testamento, mas sim no sangue de Cristo. É nEle onde está a nossa graça! Pode até ser que realmente Jesus elegesse seus apóstolos baseado na supremacia masculina presente no AT, embora eu não veja em todo o Antigo Testamento uma base para tal alegação. Mas assim como no Antigo o gentio não era respeitado, nem o escravo, etc, agora em Cristo todos somos iguais. Se formos seguir a lógica: “Nenhum apóstolo foi mulher, logo nenhuma pastor deve ser”, então deveremos ser coerentes e concluir que “Nenhum apóstolo foi gentio, logo nós pastores brasileiros também não podemos ser”. É óbvio que tal alegação destrói a graça de Cristo Jesus e toda a mensagem do Evangelho.
    Quanto ao texto de I Timóteo 2, veja que Paulo começa o capítulo falando sobre a necessidade de se orar por todos os homens. Ali a palavra homem é antropos, que significa ser humano, e não apenas homem do sexo masculino. Da mesma forma a mesma palavra aparece nos versículos 4 e 5. No versículo 8 a palavra utilizada para homem é aner, que significa tanto “homem” quanto “marido”.
    Fica claro que a orientação de Paulo de que a “esposa/mulher “ deve aprender com tranquilidade, e não exercer autoridade sobre o seu “homem/marido”, porque no versículo 15 ele ressalta que ela é salva desta restrição ao dar a luz filhos. Também fica claro por causa do modelo que ele usa, ao citar Adão e Eva, o primeiro casal. Paulo muda completamente de assunto ao iniciar o capítulo 3, pois agora sim começa a falar sobre os pré-requisitos ao episcopado, não tendo qualquer ligação com o texto anterior.
    Veja, não afirmo que a mulher não deva ser submissa ao seu marido. A Bíblia é clara quanto a isso. O que afirmo é que o fato de que a mulher deva ser submissa ao seu marido não nega a possibilidade dela ser pastora ou diaconisa.

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  4. Quanto à questão da autoridade, o que quero dizer é que a mulher deve sim ser submissa ao seu marido, pois é bíblico, mas isso não nega a possibilidade dela ser pastora. Normalmente o que se afirma é que ela não pode ser pastora porque exerceria autoridade sobre o seu marido na igreja, e eu não vejo qual o problema. Nós devemos também nos submeter às autoridades governamentais, e que também é bíblico, o que não nos impede de pastorear alguns destes líderes governamentais. Portanto, se um pastor jovem pode, por exemplo, pastorear seu próprio pai, ou então o prefeito de sua cidade, porque uma mulher não poderia pastorear seu marido, sendo que em casa ela é submissa a ele?

    Sobre o texto de Gálatas, eu não acho que o irmão entendeu o que eu escrevi, pois em lugar algum eu disse se tratar de algo cultural. O que afirmo é que em Cristo somos iguais, seja homem ou mulher, judeu ou grego. Esta igualdade espiritual é alcançada mediante a justificação em Cristo. A própria doutrina da justificação seria na verdade suficiente para validar o ministério feminino.

    Abraço!

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