A Ordenação de Mulheres ao ministério pastoral - Parte 2
ARGUMENTOS
A FAVOR DA ORDENAÇÃO FEMININA
Há muitas provas bíblicas de que a
mulher pode exercer qualquer função dentro ou fora da igreja, seja em posições
de liderança ou não. Não quero fazer aqui uma exposição exaustiva do assunto,
pois creio que muitos livros poderiam ser escritos a respeito da contribuição
da mulher na história bíblica, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, além
de sua notável participação na história da igreja e de missões.
No Antigo Testamento temos o exemplo
de Débora, que foi juíza sobre Israel (Juízes 4 e 5). No Novo, Lucas nos fala
da profetiza Ana (Lucas 2.36-38). Também nos fala das filhas de Felipe como
sendo profetizas da Igreja (Atos 21.9). Paulo fala a respeito de mulheres que
“trabalhavam arduamente na obra do Senhor” (Romanos 16.12), onde possivelmente eram
diaconisas ou pastoras. Como já vimos anteriormente, Paulo também reconhecia
que as mulheres profetizavam (pregavam?) nas igrejas (I Coríntios 11.5). Ele
recomenda a diaconisa Febe aos irmãos de Roma (Romanos 16.1), e mostra certa
proeminência de Priscila sobre o seu marido Áquila (Romanos 16.3). Também cita
duas mulheres como cooperadoras de seu trabalho (Filipenses 4.2). Vemos Jesus ensinando uma mulher a
respeito de verdades escatológicas (João 11.24). Enviando uma mulher como sua
testemunha entre os samaritanos (João 4). Também vemos que Jesus escolheu
aparecer primeiramente a mulheres após a sua ressurreição (Marcos 16.9 e Mateus
28.1-10), demonstrando o imenso valor que possuíam para Ele.
Veja também que não há qualquer
declaração na Bíblia de que não se devam impor as mãos sobre as mulheres. Caso
elas não fossem “dignas” de uma função de liderança, com certeza deveria ter
alguma declaração neste sentido. No entanto o que vemos é que quem vocaciona é
Deus, e o ser humano não deve impedir a sua vontade.
Paulo
declara a igualdade dos sexos em Gálatas 3.28
Paulo é claro em sua teologia ao
declarar que: “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher;
pois todos são um em Cristo Jesus” (Gálatas 3.28). No versículo anterior ele
fala do teor desta igualdade, que é feita mediante o revestimento de Cristo.
Seja grego ou judeu, homem ou mulher, todos somos pecadores e destituídos de
justiça, no entanto quando nos revestimos de Cristo, pela fé em seu sacrifício,
somos justificados de todas as nossas maldições e pecados. A partir de então
atribui-se a nós a justiça de Cristo, e não mais a nossa própria. A mulher
crente tem em si a justiça de Cristo, e negar-lhe qualquer direito é negar a
Cristo! Negar-lhe a dignidade ao ministério pastoral significa menosprezar o
sacrifício de Cristo Jesus.
Há quem diga que se abrir
oportunidade para o ministério feminino, haverá abertura também para a entrada
de homossexuais na igreja, pois estes também poderão usar como argumento este
mesmo texto. No entanto estes pecam profundamente ao fazer tal declaração, pois
assim consideram que ser mulher é pecado, da mesma forma que um homossexual
está em pecado ao viver na prática do homossexualismo. Ao contrário do que os
grupos homossexuais afirmam, distorcendo este e outros textos, o versículo em
questão não afirma nada a respeito do homossexualismo ou de uma possível “opção
sexual”, mas apenas a igualdade perante Deus dos dois sexos criados por Ele.
Ser mulher não é pecado. Já o
homossexualismo é claramente condenado nas Escrituras em diversos lugares. Não
se deve oprimir um grupo de pessoas por medo de outro.
O
Espírito Santo foi derramado sobre homens e mulheres
Em
Atos 2.17 vemos Pedro pregando e declarando que naquele momento se cumpria a
profecia de Joel 2, que alegava que o Espírito seria derramado sobre filhos e filhas,
servos e servas, e que inclusive os filhos e as filhas profetizariam. Isso
acontece naquele momento histórico, e também em outros posteriores, como vimos
em passagens como Atos 21.9 e I Coríntios 11.5. Se o Espírito Santo não fez
acepção de pessoa e escolheu dar um dom de profecia para uma mulher, como é que
a igreja pode restringi-la a exercê-lo, negando claramente a vontade do
Espírito?
Paulo
declara em I Coríntios 14.1 que o dom de profecia é melhor que os outros dons,
incentivando a buscar este dom tanto neste versículo quanto no 39. Se este é o
dom mais importante, e claramente havia mulheres que o possuíam, estas mulheres
então tinham autoridade delegada por Deus para falar, e quando falavam todos
deveriam ouvir. Em Efésios 4.11-12
lemos:
“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros
para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,
querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para
edificação do corpo de Cristo”.
Veja
que Paulo faz distinção entre o profeta e o pastor, sendo duas funções
diferentes. Como o dom de profecia é o mais importante, e biblicamente já vimos
que havia mulheres profetizas, como é que elas não poderiam ser pastoras, visto
ser um dom menos importante que o do profeta?
Poderiam
as mulheres serem dignas do extraordinário dom de profecia dado pelo Espírito
Santo, mas não serem dignas do menos importante dom, que é o do pastor?
CONCLUSÃO
Não
encontramos argumento válido para negar a ordenação feminina. Muito pelo
contrário, visto que o Evangelho liberta de todo tipo de opressão e emancipa o
ser humano à posição de filho e filha de Deus. Negar à mulher o direito ao
ministério pastoral, diaconal ou qualquer outro, significa participar do
sistema opressivo que encarcera mulheres em um legalismo anti-bíblico.
“Misericórdia
quero, e não sacrifício”. Mateus 9.13

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