terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A Ordenação de Mulheres ao ministério pastoral - Parte 2


A Ordenação de Mulheres ao ministério pastoral - Parte 2


ARGUMENTOS A FAVOR DA ORDENAÇÃO FEMININA

            Há muitas provas bíblicas de que a mulher pode exercer qualquer função dentro ou fora da igreja, seja em posições de liderança ou não. Não quero fazer aqui uma exposição exaustiva do assunto, pois creio que muitos livros poderiam ser escritos a respeito da contribuição da mulher na história bíblica, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, além de sua notável participação na história da igreja e de missões.
            No Antigo Testamento temos o exemplo de Débora, que foi juíza sobre Israel (Juízes 4 e 5). No Novo, Lucas nos fala da profetiza Ana (Lucas 2.36-38). Também nos fala das filhas de Felipe como sendo profetizas da Igreja (Atos 21.9). Paulo fala a respeito de mulheres que “trabalhavam arduamente na obra do Senhor” (Romanos 16.12), onde possivelmente eram diaconisas ou pastoras. Como já vimos anteriormente, Paulo também reconhecia que as mulheres profetizavam (pregavam?) nas igrejas (I Coríntios 11.5). Ele recomenda a diaconisa Febe aos irmãos de Roma (Romanos 16.1), e mostra certa proeminência de Priscila sobre o seu marido Áquila (Romanos 16.3). Também cita duas mulheres como cooperadoras de seu trabalho (Filipenses 4.2). Vemos Jesus ensinando uma mulher a respeito de verdades escatológicas (João 11.24). Enviando uma mulher como sua testemunha entre os samaritanos (João 4). Também vemos que Jesus escolheu aparecer primeiramente a mulheres após a sua ressurreição (Marcos 16.9 e Mateus 28.1-10), demonstrando o imenso valor que possuíam para Ele.
            Veja também que não há qualquer declaração na Bíblia de que não se devam impor as mãos sobre as mulheres. Caso elas não fossem “dignas” de uma função de liderança, com certeza deveria ter alguma declaração neste sentido. No entanto o que vemos é que quem vocaciona é Deus, e o ser humano não deve impedir a sua vontade.

Paulo declara a igualdade dos sexos em Gálatas 3.28

            Paulo é claro em sua teologia ao declarar que: “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (Gálatas 3.28). No versículo anterior ele fala do teor desta igualdade, que é feita mediante o revestimento de Cristo. Seja grego ou judeu, homem ou mulher, todos somos pecadores e destituídos de justiça, no entanto quando nos revestimos de Cristo, pela fé em seu sacrifício, somos justificados de todas as nossas maldições e pecados. A partir de então atribui-se a nós a justiça de Cristo, e não mais a nossa própria. A mulher crente tem em si a justiça de Cristo, e negar-lhe qualquer direito é negar a Cristo! Negar-lhe a dignidade ao ministério pastoral significa menosprezar o sacrifício de Cristo Jesus.
            Há quem diga que se abrir oportunidade para o ministério feminino, haverá abertura também para a entrada de homossexuais na igreja, pois estes também poderão usar como argumento este mesmo texto. No entanto estes pecam profundamente ao fazer tal declaração, pois assim consideram que ser mulher é pecado, da mesma forma que um homossexual está em pecado ao viver na prática do homossexualismo. Ao contrário do que os grupos homossexuais afirmam, distorcendo este e outros textos, o versículo em questão não afirma nada a respeito do homossexualismo ou de uma possível “opção sexual”, mas apenas a igualdade perante Deus dos dois sexos criados por Ele.
         Ser mulher não é pecado. Já o homossexualismo é claramente condenado nas Escrituras em diversos lugares. Não se deve oprimir um grupo de pessoas por medo de outro.

O Espírito Santo foi derramado sobre homens e mulheres

            Em Atos 2.17 vemos Pedro pregando e declarando que naquele momento se cumpria a profecia de Joel 2, que alegava que o Espírito seria derramado sobre filhos e filhas, servos e servas, e que inclusive os filhos e as filhas profetizariam. Isso acontece naquele momento histórico, e também em outros posteriores, como vimos em passagens como Atos 21.9 e I Coríntios 11.5. Se o Espírito Santo não fez acepção de pessoa e escolheu dar um dom de profecia para uma mulher, como é que a igreja pode restringi-la a exercê-lo, negando claramente a vontade do Espírito?
            Paulo declara em I Coríntios 14.1 que o dom de profecia é melhor que os outros dons, incentivando a buscar este dom tanto neste versículo quanto no 39. Se este é o dom mais importante, e claramente havia mulheres que o possuíam, estas mulheres então tinham autoridade delegada por Deus para falar, e quando falavam todos deveriam ouvir.  Em Efésios 4.11-12 lemos:

“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo”.

            Veja que Paulo faz distinção entre o profeta e o pastor, sendo duas funções diferentes. Como o dom de profecia é o mais importante, e biblicamente já vimos que havia mulheres profetizas, como é que elas não poderiam ser pastoras, visto ser um dom menos importante que o do profeta?
            Poderiam as mulheres serem dignas do extraordinário dom de profecia dado pelo Espírito Santo, mas não serem dignas do menos importante dom, que é o do pastor?

CONCLUSÃO

            Não encontramos argumento válido para negar a ordenação feminina. Muito pelo contrário, visto que o Evangelho liberta de todo tipo de opressão e emancipa o ser humano à posição de filho e filha de Deus. Negar à mulher o direito ao ministério pastoral, diaconal ou qualquer outro, significa participar do sistema opressivo que encarcera mulheres em um legalismo anti-bíblico.

            “Misericórdia quero, e não sacrifício”. Mateus 9.13

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